Definições

 POLÍTICA DA PAISAGEM

"Política da Paisagem é um conjunto de dispositivos, governamentalidades, ações e conhecimentos, que visam regular sujeitos e territórios, com diferentes objetivos, que são desenvolvidos a partir de diferentes áreas do pensamento, com diferentes expertises. Em suma, ela ocorre quando a paisagem é mobilizada por diferentes grupos, com diferentes objetivos, a partir de diferentes representações, seja do espaço em questão, seja da própria ideia do que é uma paisagem, visando algum tipo de ação. (...)

Sem que seja exaustivo, podemos dizer que o que chamamos de política da paisagem nas cidades provém de três áreas distintas: 1) os estudos e ações sobre meio ambiente e sua preservação; 2) as ações de preservação do patrimônio cultural e 3) aquelas relacionadas às intervenções urbanas. São esses três eixos, que muitas vezes se sobrepõem, que colocam com diferentes ênfases a ideia de política da paisagem em espaços urbanos." 

 

RIBEIRO, Rafael Winter. A política da paisagem em cidades brasileiras: instituições, mobilizações e representações a partir do Rio de Janeiro e Recife. In: FIDALGO, Pedro (Org.). A paisagem como problema: conhecer para proteger, gerir e ordenar. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, Vol. V, pp. 155-170, 2018.

CIDADANIA PAISAGÍSTICA

Conceito ainda em formação, remete à aproximação observada entre o debate paisagístico e a pauta da justiça social na sociedade contemporânea. O que chamamos de cidadania paisagística corresponde ao conjunto de debates, ações e mobilizações, por diferentes grupos, que utilizam do discurso paisagístico visando algum tipo de ação, estando também ligada à reivindicação de direitos e de participação dentro de uma comunidade política. Tais reflexões estão vinculadas ao contexto teórico, político e social contemporâneo onde a paisagem assume um papel central para o planejamento territorial, mas também se revela como um instrumento/recurso mobilizado por diferentes grupos, com caráter contestatório, onde a paisagem se apresenta como o fundamento e a base de seus questionamentos. Neste sentido, com a proposição da ideia de cidadania paisagística buscamos discutir a atualidade teórica, política e social da paisagem, procurando lançar luz sobre os agentes que a mobilizam politicamente como um instrumento de gestão, um objeto de identidade e/ou uma possibilidade de expressão de suas cidadanias. Interessa-nos apreender como a paisagem articula, a um só modo, pensamentos, ações e negociações necessárias à manutenção da sociedade democrática.

BARBOSA, David Tavares. Cidadania Paisagística. Revista de Geografia (Recife), vol. 35, nº 01 (especial), 2018, p. 40-59.

BARBOSA, David Tavares. Ocupe Estelita: Das tramas insurgentes à mobilização de direitos na política urbana. In: XII ENANPEGE, 2017, Anais... Porto Alegre: 2017, 12p.

ESPAÇO POLÍTICO

"O espaço político é então um tipo de espaço ao mesmo tempo de encontro, de debates e acordos sobre interesses conflitantes, pode ser ou não visível e acessível a todos e personifica a materialidade inerente à vida política que supõe não apenas pensar e falar, mas também o agir (CASTRO, 2012). O espaço político é então um lugar mobilizado para o confronto, onde os homens agem coletivamente com uma intenção, o lugar da defesa de interesses, da negociação e da disputa de  poder sobre os acordos em relação às normas necessárias ao convívio pacífico entre diferentes visões de mundo. Há, pois na ação no espaço político uma dimensão instituinte, ou seja, uma conexão com o poder decisório governamental, qualquer que seja a sua escala."

CASTRO, Iná Elias de. Espaço Político. In: Geographia, Niterói: Vol. 20, n. 42, 2018, pp. 120-126. 

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